Pedro Bento E Zé Da Estrada (1982) (Vol 3) (GGLP089) - (1982) - Pedro Bento e Zé Da Estrada
Amor, Ciúme E Paixão
Ontem eu chorei igual criança
Senti a minha esperança infelizmente perdida
Eu vi meu amor em outros braços
Caminhando passo a passo passeando na avenida
Ela mora em frente a onde eu moro
Mas não sabe que eu lhe adoro de todo o meu coração
Não confessei esse amor fui um covarde
Chorar sei que agora é tarde vou morrer com essa paixão
Que paixão, que paixão que ciúme sem fim
Coração, coração, foste culpado esse amor já perdi
Desejo Antigo
Quero uma rima simplezinha pra cantar
Falando em coisas que deixei lá no sertão
Quero um regato mansamente a rolar
Ver borboletas avejantes num botão
De manhazinha quando vem rompendo o dia
No pé da serra brinca alegre um tangará
E de repente tudo tudo silencia
Para ouvir a melodia do maestro sabiá
Deixa seu moço eu sonhar já que eu não posso voltar
Deixa seu moço eu sonhar já que eu não posso voltar
Quero uma casa humildezinha pra morar
E um rego d'água pra matar a minha sede
Quero uma sombra junto a um pé de um manacá
Aonde eu posso a embalar a minha rede
E uma cabocla para ser somente minha
No seu jardim eu quero ser o beija-flor
À tarde eu quero uma viola afinadinha
Uma toada e uma modinha pra cantar pro meu amor
Deixa seu moço eu sonhar já que eu não posso voltar
Deixa seu moço eu sonhar já que eu não posso voltar
O sol desmaia lá nos braços do horizonte
Pinta no peito uma pontinha de tristeza
A lua nasce a sorrir atrás do monte
Eu me extasio a contemplar tanta beleza
Uma coruja pia triste lá distante
E um curiango lhe responde com certeza
Os pirilampos vão surgindo num instante
São estrelas, são diamantes, enfeitando a natureza
Deixa seu moço eu sonhar já que eu não posso voltar
Deixa seu moço eu sonhar já que eu não posso voltar
Pedaço Da Noite
Silêncio da madrugada pedaço de noite, resto de vida
Onde está a mulher que eu amo procuro e não acho minha querida
Este é o fim de um ser humano que tanto desengano na vida sofreu
Não encontro amor em outros amores são os dissabores que a vida me deu
Pedaço de noite resto de vida amor sem amor, esperança perdida
No palco da vida sou um exilado que foi derrotado em mais uma partida
Último Peão Boiadeiro
Este sertão conheço a casco de cavalo
Conheço o rio desde a foz até a nascente
O descanso vai até o cantar do galo
O meu trabalho vai até o sol poente
Agora vejo o ofÃcio de peão
E após dias vai se transformando em nada
Porque a estrada de tirar boi do sertão
Em muitos trechos já estão pavimentadas
Este é meu último transporte de boiada
Eu vou levando o meu último cargueiro
Entre os peões transitaram nessa estrada
Eu sou o último peão de boiadeiro
Não vou deixar me abater com o progresso
Sou obrigado a acompanhar a evolução
Homem de fibra não se entrega ao insucesso
Vou tirar a carta de chofer de caminhão
Se nessa estrada sou o último peão
Na nova estrada poderei ser o primeiro
Entre a velha e a nova profissão
Transporto gado no expresso boiadeiro
Este é meu último transporte de boiada
Eu vou levando o meu último cargueiro
Entre os peões transitaram nessa estrada
Eu sou o último peão de boiadeiro
A Confidente
Já estou sabendo que a vida que leva
É bem diferente daquilo que quer
Sua casa fica bem perto da minha
Sua confidente é minha mulher
As mágoas de sua vida conjugal
Eu fico sabendo tim tim por tim tim
Por que minha esposa a noite no leito
Sem saber a dor que provoca em meu peito
Em segredo conta tudo para mim
Sei que você sente falta de carinho
Porque seu marido não lhe da valor
O que não daria pra ter me meus braços
E deixar você saciada de amor
E uma tortura quando vem lá em casa
Com os olhos vermelhos a desabafar
Da sala eu escuto você na cozinha
Dizer que outra noite lhe deixou sozinha
Pra buscar amor em outro lugar
Meu Deus saÃda não vejo
Meu louco desejo preciso esconder
Seria melhor que de sua vida eu não soubesse nada
Pensando que fosse feliz e amada
Quem sabe eu pudesse talvez te esquecer
Banco De Olhos
Ana era morena de olhos verdes os cabelos negros cor de carvão
Manoel morria de amores por ela que já tinha outro em seu coração
O noivo de Ana era um jovem rico, Manuel não passava de um simples pintor
Foi o destino provava mais tarde que o moço rico era um grande covarde
E não merecia seu grande amor
O olhar tão lindo da moça bonita por mal incurável perdeu a luz
A negra sorte roubou-lhe a visão jogando em seu ombro uma pesada cruz
Manuel pensou em saber da notÃcia embora sabendo que ela não lhe quis
Vou doar meus olhos com todo prazer e tudo que tenho e que posso fazer
Pra que ela ainda volte a ser feliz
Depois de um ano de triste martÃrio da cruz pesada que ela carregou
Além da cegueira e espera terrÃvel do noivo covarde que lhe abandonou
Ana foi chamada no banco de olhos alguém havia doado os seus
Ela imaginava naquele transplante de ser alguém que me ame bastante
Pra dar um presente que ganhou de Deus.
Parentes e amigos rodeavam seu leito naquele momento da grande emoção
Estava ansiosa para ver o nome de quem lhe devolvia de novo a visão
Pensava que fosse talvez o seu noivo e ao ler o nome Manuel, o pintor
Seus pranto caÃram, pois só lhe restava chorar com os olhos d quem lhe adorava
Daquele que sempre negou seu amor
Resto De Peão
Eu já não sei onde guardar tanta saudade dos velhos tempos que vivi no estradão
Hoje meu peito é um jazigo de lembrança onde sepultei os velhos sonhos de peão
E ao fechar os olhos vejo uma boiada ruminando a relva umedecida na capina
Um berrante anunciando o fim de mais um dia a noite morna chegando na surdina
Eu sou o filho da saudade eu sou a lembrança do estradão
Eu sou a sobra de um tempo tão distante nada mais que um simples resto de peão
Mas todo sonho do passado sempre volta porque a saudade ressuscita novamente
Em pensamento vejo tudo que fazia naquele mundo tão gostoso e diferente
Hoje não vejo mais boiada, nem estrada e nem sertão e nem berrante despertando a peonada
Eu que já fui de tudo isso um pouquinho hoje sei o quanto é triste minha vida em outra estrada
Eu sou o filho da saudade eu sou a lembrança do estradão
Eu sou a sobra de um tempo tão distante nada mais que um simples resto de peão
Cicatriz Do Amor
Cada um de nós deve seguir o seu caminho
Cada um de nós deve cumprir a sua missão
Se um grande amor que a gente sonho não correspondeu
Não será motivo pra nenhum de nós chorar de paixão
Enquanto existir um raio de luz brilhando na estrada
É sinal que ainda há esperança nos olhos teus
Por mais que a saudade maltrate meu peito amargurado
Não será motivo pra nenhum de nós dizermos adeus
Amor ferido é igual a dor de um passarinho
Que na tempestade perdeu o seu ninho
Ficando molhando sem poder voar
Amor ferido é a cicatriz da ingratidão
Que deixou no peito de um apaixonado
A dor mais cruel da separação
O Rei Dos Rodeios
Eu sou peão, eu sou peão de rodeio
Eu sou campeão quando eu entro num torneio
Em toda festa de peão que eu sou chamado
Sou classificado em troféus sou o primeiro
Eu sou peão, eu sou peão de rodeio
Eu sou campeão quando eu entro num torneio
Aonde eu chego eu namoro uma menina
A paixão não me domina, eu não sou casamenteiro
Eu sou peão, eu sou peão de rodeio
Eu sou campeão quando eu entro num torneio
Eu sou peão tenho o braço de aço
Nunca encontrei fracasso, tenho fama e bom dinheiro
Eu sou peão, eu sou peão de rodeio
Eu sou campeão quando eu entro num torneio
Quando eu sento no lombo de um redomão
Sempre com o chapéu na mão vou saudando os companheiros
Eu sou peão, eu sou peão de rodeio
Eu sou campeão quando eu entro num torneio
A minha sina e montar e não cair
Por isso aprendi ser ginete brasileiro
Eu sou peão, eu sou peão de rodeio
Eu sou campeão quando eu entro num torneio
Meu chapéu branco , meu lenço todo bordado
Sou cowboy apaixonado, sou peão de boiadeiro
Tradição
A viola está morrendo acabando a tradiçãoÂ
Já não se vê cantador com viola na mãoÂ
O que era brasileiro acabou-se meu irmãoÂ
A guitarra dos roqueiros faz sucesso no sertãoÂ
Não se vê cantador com viola na mãoÂ
A canção do sertanejo que falava do sertãoÂ
Transformou-se em ciúme e separaçãoÂ
De amor desencontrado, falam em briga e traiçãoÂ
Os poetas se perderam na orgia da ilusãoÂ
Não se vê cantador com viola na mãoÂ
Não tem nada sertanejo nas modernas melodiasÂ
Os cantadores de agora tem moleza e mordomiaÂ
Detestam homens violeiros, não honram a tradiçãoÂ
Usam brinco, se rebolam cantando em televisãoÂ
Não se vê cantador com viola na mãoÂ
Não deixe a viola morrer meu querido sucessorÂ
Ela fez tanto violeiro, fez poeta e trovadorÂ
Que saudade de um catira, de um violeiro folgazãoÂ
Cantando sempre dizia as belezas do sertãoÂ
Não se vê cantador com viola na mãoÂ
Músicas do álbum Pedro Bento E Zé Da Estrada (1982) (Vol 3) (GGLP089) - (1982)
Nome | Compositor | Ritmo |
---|---|---|
Amor, Ciúme E Paixão | Vicente P. Machado / Pedro Bento | Balanço |
Desejo Antigo | Ostecrino Lacerda | Toada Balanço |
Pedaço Da Noite | Sabino / Miguel F. Souza | Rancheira |
Último Peão Boiadeiro | Benedito Seviero / Rancheiro | Toada |
A Confidente | Doraà / Jeca Mineiro | Guarânia |
Banco De Olhos | Pedro Bento / Manoelito Nunes | Guarânia |
Resto De Peão | João Do Reino / Carlos D | Country |
Cicatriz Do Amor | Cláudio De Barros / Serafim Costa Almeida | Guarânia |
O Rei Dos Rodeios | Pedro Bento | Corrido |
Tradição | Pedro Bento | Rojão |