Viola De Ouro (RURAL 100017) - (1979) - Galante e Marinho

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Letreiro da Saudade 
A longa noite vai morrendo lentamente
Eu acordado novamente amanheci
Meu pensamento percorreu todo passado
A cada instante que eu passei junto de ti

Não adianta pegar tudo que é teu
E destruir para não ter recordação
Porque teu nome no letreiro de saudade
Está gravado dentro do meu coração

Eu passo a noite sozinho no leito
Apago a luz e acendo outra vez
São dose horas que eu sofro por noite
São trinta noites que eu sofro por mês

Do que me vale rasgar o teu retrato
Queimar as cartas jogar tudo fora
Se a saudade do meu coração
Não tenho jeito de mandar embora

Não Serei Mais Seu Palhaço 
Cansei de ser levado na conversa
Cansei de ouvir falsos juramentos
É triste acreditar numa promessa
Depois saber que é tudo fingimento

Você é comediante de valor
Fingiu até agora em meus braços
E eu nesta comédia de amor
Eu sempre um verdadeiro palhaço

Não compreendo como pode um coração
Tão pequenino e caber tanta maldade
Meu lindo sonho meu castelo de ilusão
Foi destruído pela sua falsidade

De hoje em diante eu não quero os seus abraços
Vá enganar o coração de outro alguém
Amanhã mesmo encontrará outro palhaço
Eu nunca mais serei palhaço de ninguém

Mar da Solidão 
Meu coração está perdido na saudade
Como um barquinho que se perde em alto mar
Teu coração é o porto da felicidade
Que eu procuro e não consigo encontrar

O nosso amor era o barquinho da bonança
Quando assolou o vendaval da ingratidão
Já não encontro mais o porto da esperança
Estou perdido em um mar de solidão

Sou um barquinho que se afastou do cais
Que já não consegue mais voltar ao porto do amor
Contra a maré sem destino vou remando
Pouco a pouco naufragando neste imenso mar de dor

Maldito Tormento 
São altas horas da noite o sereno está caindo
No frio da madrugada a cidade está dormindo
Somente eu não consigo porque meu sono não vem
Este maldito tormento martela em meu pensamento
Meu amor tem outro alguém

Eu não consigo esconder a dor cruel do desgosto
Parece que minha mágoa vive estampada no rosto
Seu coração ama outro esta paixão me consome
Porque às vezes em sonho 
Teus lábios murmuram chamando outro nome

Não faz mal, não faz mal algum dia eu hei de vencer
Tenho uma viva esperança que um dia do outro ela vai esquecer
Então terei a certeza que até os seus sonhos vão me pertecer

Coração de Gelo 
Ouvi dizer que a bebida é remédio
É um calmante para dor de cotovelo
Eu porém nunca sofri mal de amor
Meu coração é igual pedra de gelo

A ingratidão não faz ninho no meu peito
Meu coração não é abrigo de saudade
Não sei dizer qual é o gosto do despeito
Porque eu tenho quem me ama de verdade

Eu me orgulho de ter coração de gelo
Que só palpita pelo amor de uma mulher
Desde criança meu coração tem juízo
Desde pequeno ele sabe o que quer

No alvorecer das manhãs em minha vida
Cresceu comigo minha flor, minha rainha
Ela bem sabe que eu sou somente dela
Tenho certeza que ela é somente minha

Saudade de Araraquara
Eu parti de Araraquara com destino pra Goiás
Quando eu vim da minha terra passei Minas Gerais
Eu passei Campinas triste, lagoa dos Ananás
Os olhos que lá me viram de certo não me vêem mais

Fiz a minha embarcação lá na estação do Brás
Meu amor me procurava notícias pelos jornais
Eu padeço, ela padece, padecemos os dois iguais
Quem parte leva saudade pra quem fica é muito mais

Eu olhei para o horizonte avistei certos sinais
As estrelas vão correndo deixando raios pra trás
Eu te quis ainda te quero cada vez querendo mais
O agrado de outro amor para mim não satisfaz

O meu peito é um retiro onde meu suspiro vai
Meu coração é um cuitelo que do seu jardim não sai
Que vive beijando a rosa onde que o sereno cai
Adeus minha rosa branca adeus para nunca mais

Pó de Traque 
Esta noite um ladrão roubou o meu Cadilac
Roubou minha bicicleta que é da marca Monark
Depois ele entrou em casa e deu um tremendo desfalque
Roubou minha geladeira com um litro de conhaque

Ele roubou meu relógio que fazia o tic-tac
Roubou a minha navalha de fazer o cavanhaque
Abriu a minha gaveta me roubou o almanaque
O livrinho do Bocage e a revista do Mandrake

Roubou o meu paletó com uma caneta Parker
E roubou um cheque gordo que ia fazer um saque
Roubou meu chapéu cartola, meu colete e o meu fraque
Pra fotografar o roubo levou a minha Kodak

Pelo jeito este gatuno não é ladrão de araque 
Na arte da gatunagem é um verdadeiro craque
Quando eu cheguei em casa quase me deu um ataque
O malandro levou tudo me deixou a pó de traque

Último Transporte de Boiada
Quando escuto um berrante repicando na estrada
Chego a chorar de saudade da minha vida passada
Não sai da minha lembrança a imagem adorada
E um valente boiadeiro, o meu melhor companheiro
No transporte de boiada

Nossa última viagem enlutou meu coração
Com destino à Barretos saímos de Catalão
Sobre o rio Paranaíba foi a nossa perdição
Quando foi morrendo à tarde, desabou a tempestade
Parecendo um furacão

Nessa hora de agonia, de angústia e aflição
O estouro da boiada estremeceu o sertão
O cavalo se perdeu caiu de prancha no chão
Estirados na estrada pisados pela boiada
Morreu cavalo e peão

Eu perdi meu companheiro entre Minas e Goiás
O transporte de boiada eu deixei pra nunca mais
Cada toque de berrante é uma lágrima que cai
Porque esse boiadeiro além de bom companheiro
Era meu querido pai

Viola de Ouro 
Veja só o batidão desta viola barulhenta
Esta viola afinada é a minha ferramenta
Nela eu ponteio os pagodes que o sertanejo inventa
Esta viola é campeã cada vez tem mais um fã
Onde ela se apresenta

Quando eu chego numa festa que está em marcha lenta
Eu repico a viola e a rotação aumenta
Onde existe confusão vou jogando água benta
Se o fandango estiver frio, boto fogo no pavio
E na mesma hora ele esquenta

Cada noite é uma festa que minha viola freqüenta
São trinta festas por mês porque três que são noventa
Quando chega o fim do ano são trezentas e sessenta
De festança em festança, minha viola não descansa
Nem sei quando se aposente

Minha viola corre o mundo, mas não passa dos oitenta
No meio da juventude seu batidão incrementa
Minha viola é de madeira, mas de ouro representa
Este pinho companheiro me dá fama e dinheiro
Este teto me sustenta

Já sofri muita pressão de certa gente ciumenta
Mas eu tenho o santo forte que de dia me orienta
Eu não sou o lado fraco onde a corda arrebenta
Não ando fora do trilho enquanto outro planta o milho
Eu já comi a polenta

Punhal do Desprezo 
Esta viola está chorando parece que está doente
O gemer das suas cordas emite um som diferente
Parece que ela soluça e suspira como gente
Parece que ela sabe o que meu coração sente
E chora comigo a dor da saudade de um amor
Que eu perdi para sempre

Esta viola companheira que sempre me viu contente
Percebeu que eu não canto feliz como antigamente
Notou que a minha voz já mudou completamente
Parece que a minha mágoa me atingiu diretamente
Ela chora de saudade da minha felicidade
Que acabou tão de repente 

É por causa desta viola que eu sofro amargamente
A saudade da ingrata que de mim está ausente
Ela disse que me amava porém ficava somente
Se eu vende-se a viola ou desse ela de presente
Como eu não obedecia ela diz que não queria
Me ver mais na sua frente

O desprezo é o punhal que fere profundamente 
O golpe da ingratidão não há coração que agüente
Cantando eu a conheci e amei perdidamente
Cantando hei de tirar a sua imagem da mente
Se um dia ela voltar por certo vai me encontrar
Cantando aqui novamente

Ponto de Vista 
É no pealo do vento que a folha do galho cai
Vai ter desprezo do filho, filho que despreza o pai
No lugar que o ódio chega o amor correndo sai
O fim do covarde é triste, a mentira só existe
Aonde a verdade não vai

Só não chora de saudade quem tem o coração forte
A moça que fica velha não namora por esporte
Só namora moça rica quem é rico ou tem sorte
Se o casamento é cadeia quem casa com mulher feia
Está condenado a morte

Quem falou bem no presente, o seu futuro é brilhante
Vai ter um triste futuro quem tem um presente errante
No caminho do fracasso não tem pedras de diamante
O que atrasa o motorista é um cavalo na pista
Ou um burro no volante

Tem gente que pensa em Deus só no momento da missa
Tem mulher mais perigosa do areia movediça 
Vagabundo vive preso na corrente da preguiça
Quem se perde no deserto quando a fome chega perto
Cascavel vira lingüiça

Hoje Estou Feliz 
Eu estou feliz, eu estou feliz
Sei que vou chorar de felicidade
Vai voltar pra mim, vai voltar pra mim
Quem meu coração ama de verdade

A minha felicidade há muito tempo estava perdida
Somente a cruel saudade atormentava a minha vida
Mas hoje eu estou feliz ao voltar pra mim a mulher querida
Mas hoje eu estou feliz ao voltar pra mim a mulher querida

Eu estou feliz, eu estou feliz
Sei que vou chorar de felicidade
Vai voltar pra mim, vai voltar pra mim
Quem meu coração ama de verdade

Pensei que minha querida voltasse apenas por piedade
Pra salvar a minha vida daquela negra infelicidade
Porém ela confessou que também chorou por sentir saudade
Porém ela confessou que também chorou por sentir saudade

Eu estou feliz, eu estou feliz
Sei que vou chorar de felicidade
Vai voltar pra mim, vai voltar pra mim
Quem meu coração ama de verdade

Músicas do álbum Viola De Ouro (RURAL 100017) - (1979)

Nome Compositor Ritmo
Letreiro Da Saudade Benedito Seviero / Waldemar de F. Assunção Corrido
Não Serei Mais Seu Palhaço Benedito Seviero / Galante Bolero
Mar Da Solidão Benedito Seviero / Delmonte Guarânia
Maldito Tormento Benedito Seviero / Galante / Marinho Rancheira
Coração De Gelo Benedito Seviero / Francisco do Carmo Tango
Saudades De Araraquara Zé Carreiro Cururú
Pó De Traque Benedito Seviero / Armando Fernandes Pagode
Último Transporte De Boiada Jesus Belmito / Timóteo Moda De Viola
Viola de Ouro Benedito Seviero / Armando Fernandes Pagode
Punhal Do Desprezo Benedito Seviero / Galante Moda De Viola
Ponto De Vista Jesus Belmito / Timóteo Pagode
Hoje Estou Feliz Benedito Seviero / Galante / Marinho Rumba
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