Chico Rey E Paraná (Volume 2) ( XO 8038) - (1982) - Chico Rey e Paraná

Seu Silêncio
Aqui estou o mesmo ser que você abandonou
E se esqueceu nenhuma carta para mim você mandou
Fiquei sozinho triste a esperar o tempo voa e você não volto
Será que você me escreveu e para castigo meu sua carta não chegou 
Então se foi assim que aconteceu pode voltar ao lado meu o meu carinho eu lhe dou

Oh minha flor eu permaneço na espera sem cessar
Por seu amor eu sei que ainda meu destino vai mudar
O mal que um dia você deixou pra mim
Em minha vida vai mesmo dar fim
Por que eu nasci para você dei-lhe todo o meu carinho meu amor, todo meu ser
Agora sua ausência me intriga o seu silencio me castiga e destrói o meu viver

Não Conte Comigo
Naquela noite que a vi naquele bar
Estava triste com vontade de chorar
Se envenenando com a champanhe que bebia 
E relembrando que um dia teve um lar

Foste tão falsa e me deixou sem ter razão
Pelo desejo de viver na boemia
E hoje vive implorando meu perdão
Se lastimando que já foi feliz um dia

Realmente era feliz o nosso ninho
Éramos dois passarinhos cheios de felicidade
Até a hora em que deixou minha palhoça 
Trocando a vida da roça pelos bares da cidade

Agora vá pode ocupar aquela mesa
Eu pago sua despesa beba lá o que quiser
Mas não se esqueça não serei nem seu amigo
Nunca mais conte comigo não és mais minha mulher

Meu Velho Carro de Boi
Carro de boi que cantava lá na serra 
Quanta tristeza encerra como dói meu coração
Naquelas tardes quando o sol ia sumindo
Eu de casa ia saindo no rumo do chapadão

Ele gemia tão triste como eu
Pois um grande amor perdeu e nunca mais voltou
Vim pra cidade tentar uma nova vida
Foi tão triste a despedida que o velho carro até chorou

E aqui distante quando do carro me lembro
Já mês de dezembro e chove sem parar
E a minha terra não já sai mais da lembrança
Os meus tempos de criança hoje vivo a recordar 

Sozinho
De que me vale esta vida se eu que vivo tão sozinho
Sou pó a se erguer sem rumo no chão perdido nos caminhos
Não vi porque já não existo não vou porque não sei se vi
Só sei que me restou agora esta paixão doida a roer dentro de mim

E foi por te amar querida e não ser amado
Que em sombra me transformei e ninguém me vê
Se tudo é fácil pra mim e não tem sentido eu quero luz
Pra minha vida do sol que agora vem de você 

Prazer de prosseguir não tenho depois que você foi embora
Tão só procuro claridade no céu a iluminar lá fora
Por que tantas manhãs passaram, mas eu nesta manhã parei
Manhã que nunca se fez dia na noite do meu tempo porque a vida lhe entreguei

E foi por te amar querida e não ser amado
Que em sombra me transformei e ninguém me vê
Se tudo é fácil pra mim e não tem sentido eu quero luz
Pra minha vida do sol que agora vem de você 

Perdoei Outra Vez
Para que me serve o mundo se um desgosto tão profundo me tortura o coração
Para que me serve a vida se quem foi minha querida destruiu minha ilusão
A ingrata criatura Não cumpriu a sua jura e partiu pra não voltar
Hoje triste arrependida maldizendo a própria vida ela veio me encontrar

Expulsei-a de uma vez pois o mal que ela me fez é um crime sem perdão
E naquela mesma hora vendo ela ir embora me doeu o coração
Eu chamei ela de volta abrindo de novo a porta deixei ela ficar
Pois lembrei de Madalena que Jesus cheio de pena resolveu lhe perdoar

Retalhos de Saudade
Para o nosso poeta maior
Onde quer que esteja, a nossa homenagem

Manso remanso que murmura docemente
Neste retiro silencioso do sertão
Os cavaquinhos dando voltas na corrente
Uma cigarra a zunir no espigão

De muito longe veio o som da fazendinha
É o retireiro a tratar da criação
O sol se põe. a tarde caiu. a noite desce
Neste amado fim de mundo quase morro de emoção

Pia de novo meu querido bacural
Na velha cava que outrora foi caminho
Enquanto fazes outro canto a urutal
Deixe que eu volte ao passado com carinho

Serra das mesas namorou a Tia Zefa
Tia Badia um pouco além no coradinho
Pelas quebradas há um canto diferente
Rouxinol desiludido que retorna hoje ao ninho

O sertanejo sempre volta às origens
No desespero de encontrar tranqüilidade
Embora quase não existam matas virgens 
A gente encontra os retalhos de saudade

Uma tapera com os restos de um curral
São fragmentos do que foi a mocidade
Se a saudade é um bem que me faz mal
Foi vivendo de lembranças para ter felicidade

A Ilha e o Barquinho
Eu sou uma ilha rodeada de pranto por todos os lados
No grande oceano de meu abandono e desilusão
Você é um barquinho que passa sereno ao sopro da brisa
E vai sobre as ondas de espumas brilhando no sol de verão

Porque você passa feliz e não pára para ver nesta ilha
Se ainda existem as flores se abrindo a beira do mar
Se há borboletas e aves cantando conforme cantavam
Se sobre a folhagem orvalho ainda brilha a luz do luar

Eu sou ilha deserta no mar da solidão
Só pedras e espinhos existem no meu chão
Você pegou o barco há muito tempo atrás
Partiu levando embora meu sonho minha paz

Eu sou uma ilha nos mares distantes sem sombra de nuvem
Cobrindo o meu mundo para proteger-me do sol e calor
Aqui me visitam estrelas esparsas que somem depressa
E o beijo das ondas salgando os meus lábios com febre de amor

Você é um barquinho com velas abertas ao sopro do vento
Buscando outras ilhas nos mares distantes para ancorar
As brancas espumas parecem bordados no espelho das águas
Altar onde espero que venhas um dia comigo casar

Eu sou ilha deserta no mar da solidão
Só pedras e espinhos existem no meu chão
Você pegou o barco há muito tempo atrás
Partiu levando embora meu sonho minha paz

Noite de Amor
Esta noite eu quero ficar junto contigo a noite inteirinha
Quero sentir seu calor quero que seja somente minha
Eu queria q esta noite fosse eterna apara nos dois
Mas sei que sem piedade a dor da saudade vira depois

Esta noite de amor que tanto esperei
Não esquecerei por toda vida
Beijar seu corpo marcado de beijos
É um dos desejos que sinto querida

Caminheiro da Saudade
Andarilho solitário que atravessa as campinas
Se vai indo para Minas vou pedir-lhe um favor
Depois de Monte Carmelo já chegando em Abadia
Num recanto de poesia Mora o meu grande amor

Caminheiro da saudade leve a ela um lencinho
Que eu guardo com carinho desde a festa dos Mateus
Diga que é o mesmo lenço feito de seda amarela
Que enxugou os olhos dela no instante do adeus

Diga a ela que a amo que a saudade é tanta, tanta
Não esqueço a casa branca dos verdes canaviais
Diga que distante dela minha vida não tem graça
Quanto mais o tempo passa meu amor aumenta mais

Finalmente caminheiro diga a minha querida
Que na luta pela vida a vitória alcancei
Mas jamais tirei da mente sua imagem tão singela
Que mulher igual a ela neste mundo não achei

Homens Fortes, Valentes
Do sertão nordestino vou cantar o hino de luta e amor
Louvando sertanejo aproveito o ensejo vital lavrador
Louvando sertanejo aproveito o ensejo vital lavrador

Homens forte valentes
Que quebram correntes das secas que matam
O seu gado, sua mata
Seu cão, sua gata, seu povo e seu chão
Oi sertanejo que vou cangaceiro desbravador do sertão

O seu peito é de aço e jamais o cansaço prendeu sua mãos
O seu peito é de aço e jamais o cansaço prendeu sua mãos


Velhos
Tá vendo este olhar cansado
Tá vendo este rosto marcado
Sinal que o tempo deixou
Dos anos que eu vivi
Das noites que eu perdi
Lembranças que a vida marcou

Eu já fui moço um dia
Também já tive alegria
Quando tive sua idade
Hoje sou um homem triste
Meu peito já não resiste
Me sufoca uma saudade

Mas tudo passa na vida da gente
E de repente eu me vi assim
Meu corpo cansado
Minhas mãos sem forças
Cada vez chegando mais perto do fim

Quem já foi na vida o dono de tudo
Pra se ver agora nessa situação
Sem ter alguém para dar-me abrigo
Sem ter sequer nem mesmo um amigo
Pra ficar comigo nesta solidão

Sonho de Um Sertanejo
Cheio de sonhos eu deixei a minha terra
Meu pé de serra meu pedaço, meu torrão
Tudo que eu tinha meu gado, minha casinha
O meu riacho, o meu amado rincão

Meu dinheiro durou pouco
Eu quase ficando louco sem saber o que fazer
Minha família viu tudo se acabando
Nossa vida piorando conhecendo o que é sofrer

Sou bóia fria aqui eu não tenho nada
Sem uma casa, sem dinheiro e profissão
Passo meus dias trabalhando sem descanso
E venho embora em cima de um caminhão

Sertanejo que deixou a sua terra
Que hoje mora na cidade da ilusão
A sua sorte é lembrar o seu passado
E a sua morte é a saudade do sertão

Por isso eu digo meu irmão do interior
Dê mais valor no seu rancho beira chão
Pois para mim aqui já não tem beleza
Só a tristeza mora no meu coração

Músicas do álbum Chico Rey E Paraná (Volume 2) ( XO 8038) - (1982)

Nome Compositor Ritmo
Seu Silêncio J. Oliveira Bolero
Não Conte Comigo Kacaréco / Maurício Fares Polca
Meu Velho Carro De Boi Chico Rey / Clayton Aguiar Toada
Sozinho José Fortuna / Carlos Cezar Chamamé
Perdoei Outra Vez Miltinho Rodrigues / Benedito Seviero Batidão
Retalhos De Saudade Goiá / Francisco Do Carmo Toada
A Ilha E O Barquinho José Fortuna / Carlos Cezar Guarânia
Noite De Amor Sulino / Amarito Rancheira
Caminhoneiro Da Saudade Gioá Toada
Homens Forte, Valentes Espedito Luiz Dantas Milonga
Velhos Paraná / Francisco De Assis / Chico Rey Huapango
Sonho De Um Sertanejo Clayton Aguiar Toada
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